Foto/Destaque: Guilherme Dardanhan
A insuficiência de efetivo na Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) segue como um dos principais desafios enfrentados pela corporação e foi tema central das discussões na Assembleia Legislativa. Durante a audiência pública da Prestação de Contas do Governo 2025, realizada no dia 3 de junho, parlamentares e representantes da categoria cobraram ações concretas para suprir a grave deficiência de servidores, os cortes orçamentários e a precarização do serviço público.
A chefe da Polícia Civil, delegada Letícia Baptista Gamboge Reis, informou que, ainda neste ano, serão nomeados 359 novos servidores. No entanto, o déficit no efetivo permanece alarmante, chegando a quase 35%, conforme apontado pelo deputado Bruno Engler (PL). Atualmente, a PCMG conta com 11.289 servidores, número muito abaixo dos 17 mil previstos na Lei Orgânica.
Deputados alertaram que, no interior, delegacias operam com servidores cedidos por prefeituras, escancarando a precarização do serviço público. O Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de Minas Gerais – SINDPECRI/MG, inclusive, reafirma a urgência da recomposição do quadro e denuncia que a defasagem impõe um esforço exaustivo aos servidores, sem o devido reconhecimento por parte do governo.
Além da necessidade urgente de mais policiais, outro tema fundamental na luta sindical é a valorização da categoria. A delegada Gamboge destacou a publicação de 1.269 promoções e 934 progressões para policiais civis e servidores administrativos. Embora esses números representem um avanço, o Sindicato alerta que não são suficientes para compensar as perdas salariais acumuladas ao longo dos anos e a sobrecarga de trabalho enfrentada pelos servidores.
Outro ponto crítico abordado foi a disparidade nos critérios de promoção entre as carreiras policiais. Enquanto delegados seguem critérios objetivos, peritos e médicos-legistas ainda dependem exclusivamente de promoção por merecimento ou antiguidade. A categoria defende a adoção de um sistema único e transparente de progressão funcional.
Para garantir a qualificação da categoria, foram realizadas 22.531 ações de capacitação entre janeiro e abril, incluindo cursos presenciais e ensino a distância (EAD), segundo a Polícia Civil de Minas Gerais – PCMG. Além disso, o Hospital da Polícia Civil realizou 13.418 atendimentos no primeiro quadrimestre, oferecendo suporte a servidores e familiares. No entanto, o Sindicato reforça que esses esforços devem ser acompanhados por melhorias salariais, condições dignas de trabalho e respeito à categoria.
A estrutura da Polícia Civil também foi pauta na reunião, com destaque para 11 novas sedes inauguradas e previsão de mais 8 até julho, além da aquisição de 103 novas viaturas, com expectativa de outros 105 veículos até o final do ano. No entanto, parlamentares denunciaram a falta de veículos e combustíveis, além da demora no recolhimento de corpos, situação que tem sido alvo constante de reclamações.
Para agravar ainda mais o cenário, o governo estadual impôs um corte de R$ 31 milhões no orçamento da corporação, reduzindo os recursos previstos de R$ 201 milhões para R$ 170 milhões. A delegada Gamboge garantiu que o corte não impactará os serviços prestados à população.
A indignação aumentou diante da revelação de que o governo gastou R$ 128 milhões em publicidade, enquanto a Polícia Civil sofre com falta de recursos básicos. “Não adianta ir para El Salvador enquanto falta combustível aqui”, criticou o deputado Sargento Rodrigues (PL).
Outro tema debatido foi o projeto de reestruturação das carreiras da PCMG, que prevê a fusão das funções de investigador e escrivão, além da reorganização das carreiras periciais. A chefe da Polícia Civil afirmou que está sendo feito um estudo técnico para viabilizar a unificação dos cargos sem prejuízo às carreiras.
A chefe da PCMG destacou ações como o programa “PCMG Por Elas”, focado no combate à violência contra a mulher, além da ampliação do projeto “Chame a Frida” e da instalação de salas de depoimento especial para crianças e adolescentes vítimas de violência.
No combate ao crime organizado, a Polícia Civil está expandindo sua rede de laboratórios de combate à lavagem de dinheiro e avançando na implantação de delegacias especializadas na repressão a crimes rurais. Essas ações são fundamentais, mas o Sindicato reforça que sem efetivo suficiente, a execução dessas políticas fica comprometida.
Diante de todos esses desafios, o SINDPECRI/MG segue na luta por recomposição do efetivo, valorização dos servidores e melhores condições de trabalho. Não há mais espaço para promessas vazias: o governo precisa agir urgentemente para garantir uma Polícia Civil fortalecida, capaz de atender à população com eficiência e dignidade.